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Vacina contra covid em crianças

Dr. Leandro Freitas Colturato

Na educação, usamos o conceito lúdico para nos referir a jogos, a brincadeiras e a qualquer exercício que trabalhe a imaginação e a fantasia. Uma infância mais lúdica aumenta o potencial criativo das crianças e desenvolver essa competência é mais importante do que muitos imaginam.

O viver de uma criança transcende a compreensão humana. O cantor e compositor Toquinho, em um de seus dias mais inspirado, deu som aos sonhos de todas as crianças: “se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul de papel, num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu; giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo”. A criança é a única capaz de entender que a aquarela, o sol amarelo e o castelo, jamais descolorirão. O verbo descolorir é parte do adulto, não da criança.

A infância não tem espaço para erros. A perda de um filho é geralmente descrita como um dos acontecimentos mais dolorosos da vida de alguém. O sofrimento vivido pelos pais, independentemente da idade do seu filho morto, é dilacerante. Se comparado à dor sentida pela morte de outra pessoa da família, é extraordinariamente mais intenso.

Desde o início da pandemia, mais de 2.500 mortes e 34.000 hospitalizações foram confirmadas em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, sendo 2/3 em crianças de até 11 anos. A Covid-19 causa mais mortes em crianças do que todas as doenças passíveis de prevenção recentemente incluídas no Programa Nacional de Imunizações.

Por outro lado, a vacina da Pfizer mostrou segurança e eficácia de 90% para prevenção de Covid-19 sintomática após duas doses em crianças de 5 a 11 anos. Nenhum caso de óbito em crianças e adolescentes foi relatado e os eventos adversos na sua quase totalidade foram leves. A vacina reduz a chance da infecção, da gravidade e do tempo de transmissão pós infecção, dados estes confirmados com a observação das quase 10 milhões de crianças em vários países que receberam as duas doses, e está aprovada pelos principais órgãos reguladores internacionais, pela ANVISA e por todas as sociedades de especialidades médicas envolvidas. A politização e os extremos radicais não podem trazer tal malefício a nossas crianças. A vacina não é experimental.

O movimento antivacina do Covid-19, oposição à vacinação pública, é baseado principalmente no negacionismo científico e vem ganhando visibilidade através de polêmicas que fazem barulho pela desinformação por meio das mídias sociais. Argumentos falsos são atribuídos, reações à vacina inexistentes são dadas como certas, contraindicações são criadas, enfim, o mundo das fake news “engoliu” a vacina.

A Associação Paulista de Medicina – Regional de São José do Rio Preto sente-se no dever de orientar a população a respeitar criteriosamente todo o calendário vacinal anual. Os benefícios da vacina contra Covid-19 para as crianças são infinitamente maiores do que os malefícios. Dentro dos rabiscos que o amor traça, o do infinito é o único que deve plainar sobre nossas crianças.

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Dr. Leandro Freitas Colturato é presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) - Regional de São José do Rio Preto