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Brasil no pódio da taxa de juros

José Eduardo Rissi

 

Muito se ouve falar que pagamos absurdos de juros. E isso não é mentira. O Brasil é o terceiro país com a maior taxa de juros no mundo, 13,75%! Estamos atrás apenas da Argentina, com 60%, e da Turquia, com 14%, segundo o ranking global de juros nominais realizado pela Infinity Asset, em conjunto com MoneYou. O levantamento inclui 167 países, dos quais 45% mantiveram os juros, 51% elevaram e 4% cortaram as taxas no último ano. 

 

Isso tudo pode assustar você, mas trago mais. Segundo levantamento realizado pelo Comitê de Política Monetária, o Copom, nosso país recebeu a medalha de ouro no Ranking de Juros Reais. Trata-se das taxas de juros atuais, descontada a inflação projetada para o próximo ano.  Nesse ranking, o Brasil tem 8,52%, mais do dobro da taxa mexicana que é de 4,20%. Mas você pode se perguntar: o que isso muda diretamente na minha vida e no meu bolso?

 

Na economia, os juros representam o valor do dinheiro no tempo. Em outras palavras, reflete na sua decisão de consumir algo futuro ou de visualizar o retorno de um investimento financeiro. Nossa taxa referencial é a Selic, tanto falada nos telejornais. Essa taxa é aquela representada por 1 ano. Quem nunca falou aquela famosa frase “cem reais antigamente, valiam muito mais do que hoje!”. Isso é o que representa a taxa de juros. Quanto maior a taxa ao longo do tempo, menos o dinheiro vale. A inflação “consome” o dinheiro que você tem, seja para fazer uma compra de alimentos ou até mesmo para fazer um investimento. 

 

Para ficar ainda mais claro, os juros são um instrumento de política monetária. Ou seja, quando os governos querem combater a inflação, as taxas de juros são aumentadas para que, assim, o consumo seja reduzido e a circulação de dinheiro na economia seja restrita. Mas, quando o processo é ao contrário, para fazer com que o poder de compra aumente, as taxas diminuem.

 

E, ao saber disso agora, você pode se questionar em como lidar com essa situação e se ainda há possibilidade de driblar essas taxas. Infelizmente é o famoso ditado “se correr o bicho pega, mas se ficar, o bicho come”. Não há muito o que fazer, se não, dançar conforme a música. Minha orientação como contador, é que você sempre faça aquela famosa e antiga receita: pesquisar.

 

A diferença de preços interfere diretamente no seu bolso. Pesquise antes de comprar qualquer coisa. Não olhe apenas o valor na etiqueta, mas busque saber sobre preço, qualidade e prazo. Seja em uma simples compra do mês no supermercado, roupas, calçados, acessórios, ou até mesmo de carro ou casa. Para quem é empresário, o conselho é readequar as contas e até mesmo as compras. Se preciso for, opte por vender menos, com valor justo para seu bolso, do que vender mais, porém com prejuízo. 

 

Se estiver em seu planejamento investir, busque se informar sobre as taxas. Se possível, ouça a opinião de um especialista que possa te orientar sobre o melhor tipo de investimento a fazer no momento, o qual você terá menos riscos de sair no prejuízo, e o qual será mais vantajoso para seu perfil. As taxas de juros podem te preocupar, mas é importante que você as conheça para poder lidar com cada uma delas. 

 

José Eduardo Rissi é diretor da Rissi Contabilidade Médica.