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Planejamento financeiro: uma boa forma para começar 2023

José Eduardo Rissi


Adeus ano velho, feliz ano novo... essa frase está presente na maioria das famílias brasileiras em toda virada de ano. Mas, com ela, também podem surgir as frases de preocupações relacionadas às contas que chegam com o início do ano. IPTU, IPVA, material escolar e uniforme das crianças, rematrícula, além da fatura do cartão de crédito que foi usado para comprar os presentes de Natal e daquela ceia caprichada.

De acordo com uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), quatro em cada dez brasileiros adultos (39,71%) estavam negativados em setembro de 2022, novo recorde da série histórica do levantamento, realizado há oito anos. Ou seja, antes mesmo que o ano terminasse, muitos brasileiros já estavam endividados. Esse é um cenário que se repete ano após ano e, infelizmente, começar o novo ano assim não é a melhor escolha.

Essa realidade só nos reforça a importância de um planejamento financeiro para que o ‘feliz ano novo’ realmente aconteça. Como especialista, minha orientação é sempre a organização. Quem não se organiza e não define prioridades, dificilmente conseguirá sair dessa bola de neve. Afinal, os juros estão altíssimos e eles não têm dó nem piedade. Para que ninguém fique ‘enxugando gelo’ ou ‘descobrindo um santo para cobrir o outro’, gostaria de deixar algumas dicas.

Como disse, organizar é a palavra-chave do sucesso. Defina quais são as contas com juros maiores e, se possível, tente renegociá-las. Não sendo possível, veja a melhor forma de quitá-las ou então, pelo menos, tentar amenizá-las.

Anotar os gastos fixos e extras também é importante. Você precisa saber quanto ganha no total e quais são seus gastos fixos, como água, luz, internet, prestação da casa, compras de mercado, se tem algum remédio que precisa tomar todo mês, e assim por diante. Tendo essa lista, você verá qual é seu gasto e o que daria para economizar.

Feito isso, anote seus gastos supérfluos. Realmente é necessário comprar aquela bolsa, sapato, roupa nova? Seu filho está necessitando de brinquedos agora? E aquele lanche caro? Será que não daria para conhecer um outro que também seja gostoso, porém mais em conta? Gastos supérfluos consomem nosso orçamento e nós, muitas vezes, nem percebemos. Ao anotá-los, podemos identificá-los com maior facilidade e, assim, economizar.

Mas se tem uma coisa que o brasileiro ama é o cartão de crédito. Aquela propaganda bem chamativa e até sedutora como: ‘compre agora e comece a pagar daqui dois meses’... cuidado! Analise se realmente daqui a dois meses você terá condições de assumir essa parcela ou se está sendo apenas tentando pelo marketing.

A recomendação é, se possível, quitar seu cartão de crédito e usá-lo somente em caso de emergência. Toda compra à vista é mais fácil de ser negociada, com a chance de descontos maiores. Além disso, você conseguirá ter uma noção dos gastos e, consequentemente, economizará.

Bom, espero que tenha ajudado você de alguma forma e, caso precise, busque ajuda de um contador. Desejo que você inicie 2023 com as contas em dia e sem se preocupar com os temidos boletos que baterão à porta após as comemorações. Feliz ano novo!

José Eduardo Rissi é diretor da Rissi Contabilidade Médica.