Artigos

10 de março - Dia Mundial do Rim Saúde dos Rins e Exame de Creatinina para Todos

Dr. Rodrigo Ramalho

O impacto de eventos desastrosos, sejam eles locais (terremotos, inundações, guerras, condições climáticas extremas) ou globais (como a pandemia do COVID-19), afetam o funcionamento e as condições de vida da população como um todo, resultando em perdas nos aspectos humanos, materiais, econômicos e ambientais. Aqueles afetados por doenças crônicas, das quais os pacientes renais representam mais de 850 milhões de pessoas em todo o mundo, são particularmente prejudicados por essas interrupções, pois a capacidade de acessar serviços de diagnóstico, tratamento e cuidados adequados ficam muito comprometidas.

Doenças não transmissíveis (DNT), que incluem doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, hipertensão, doenças pulmonares crônicas e doenças renais crônicas (DRC), são conhecidas por serem as principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo, principalmente em países subdesenvolvidos e nas suas populações de baixa renda. Em caso de emergências, este extrato populacional está entre os mais vulneráveis devido às suas necessidades de cuidados coordenados e síncronos – cuidados que muitas vezes duram toda a vida e envolvem tratamentos complexos e contínuos.

Nos últimos anos, a pandemia de COVID-19 forneceu um exemplo claro dos desafios enfrentados pelos sistemas de saúde na prestação de serviços essenciais a pacientes com DNT. O impacto da pandemia colocou uma pressão adicional sobre esta vulnerável população, que teve de lidar com o risco de infecção durante as visitas às unidades de saúde, ou mesmo a suspensão e cancelamento de cuidados devido ao limite de capacidade dos serviços e políticas de bloqueio. Os serviços de saúde têm lutado para fornecer acesso aos novos casos de doenças crônicas que precisam de diagnóstico, tratamento e cuidados. Prevenindo a progressão da doença renal crônica, certamente diminuiremos a necessidade de tratamentos caros como diálises e transplantes renais, focando na linha de cuidado associada ao controle da pressão arterial e do diabetes. 

Por fim, a pandemia de COVID-19 agravou um já insuficiente compromisso político global de saúde sobre as doenças crônicas. Essas são muitas vezes incorretamente percebidas como decorrentes de más escolhas de estilo de vida, com déficits de políticas públicas agravados pela alocação insuficiente de fundos que se concentram mais na gestão do que na prevenção. Ainda, há um reconhecimento maior de somente algumas DNTs, tais como as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doença respiratória crônica. No entanto, estima-se que 55% da carga global de doenças crônicas seja atribuída para patologias fora desse grupo, como a doença renal. 

Há 5 anos em nossa cidade existe um esforço coletivo congregando importantes atores no processo de divulgar o Dia Mundial do Rim, comemorado no dia 10 de março, com a realização de exames simples e baratos para sua detecção. A união das faculdades e universidades da nossa região, estudantes de medicina e enfermagem, gestores da Secretaria Municipal de Saúde e da Direção Regional de Saúde, hospitais, clínicas e laboratórios, tem realizado uma das maiores mobilizações do país, propiciando informações sobre os rins e seu funcionamento para 1 milhão de pessoas, popularizando o exame de urina e a dosagem da creatinina, visando conscientizar cada vez mais sobre a necessidade de prevenirmos a doença renal crônica.

Dr. Rodrigo Ramalho é médico nefrologista e vice-presidente da APM – Regional de São José do Rio Preto.