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Desafios para a APM

O 5º Encontro dos Líderes da Associação Paulista de Medicina (APM), realizado no Guarujá, entre os dias 14 e 16 de abril, foi grandioso. Momento propício para discutir e engrandecer a defesa da classe médica e as propostas para melhorar a APM. 

A Sociedade de Medicina e Cirurgia (SMC) foi atuante e tem muito a comemorar. Segunda Regional mais antiga da APM, somos exemplo a ser seguido. Presidentes anteriores a esta gestão são lembrados até hoje por seus feitos na região e no Estado. Administrações que impactaram sobremaneira na defesa de classe e no campo científico. 

Nossa sede traz brilhos aos olhos de toda a APM. Espaço verde invejável; eventos sociais e científicos que movimentam toda a classe médica; infraestrutura completa; defesa de classe e departamento científico atuantes; enfim, todos os deveres e obrigações estatutárias são realizados com muita competência, dinâmica e alegria. 

Falar das glorias é sempre mais fácil. Difícil é ponderar pontos a serem mudados para que, como associação médica, possamos sobreviver aos tempos sombrios que nos afrontam. Paradigmas perpétuos devem ser discutidos com urgência, caso contrário, a APM sofrerá brutalmente. 

Cada vez mais, médicos e médicas recém-formados perdem o interesse pelo papel científico e pela defesa de classe da APM. O conhecimento científico é facilmente encontrado nas inúmeras plataformas online e nos variados tipos de congressos realizados pelas Sociedades e pelas Federações de cada especialidade. A defesa de classe, para muitos, não traz qualquer interesse e importância.

Em pesquisa interna da nossa Regional, observamos que a maioria dos novos colegas tem o lazer como única ou principal razão para se associar: eventos sociais e esportivos, descansar, ir ao bar e ao restaurante, encontrar amigos, entre outros. Certo ou errado, temos que entender o porquê. Outras regionais passam por grave dificuldade financeira, com necessidade de intervenção da estadual para não se afogarem em dívidas. Atuam apenas como mediadores da APM e da defesa de classe e do conhecimento cientifico com seus associados, sem possibilidade de proporcionarem o lazer tão desejado. 

Ideias até pouco tempo dadas como absurdas por muitos colegas médicos devem fazer parte da nossa discussão diária. Precisamos falar a língua dos novos médicos, sem deixar de lado nossa razão de existir: ciência e defesa de classe.

Trazer assuntos atuais e de interesse é obrigatório. Devemos falar da Medicina intuitiva e da inteligência artificial. Aos que lutam contra estes tópicos por terem medo de perder seus trabalhos, cuidado! Vocês serão os primeiros atropelados. Temos que levar os problemas em conjunto com suas soluções. Ao se fechar as portas de uma área, outras abrirão para uma nova área. A medicina não para.

A telemedicina, criticada e temida, hoje é aceita e compreendida por todos. Lidar com ela tornou-se obrigatório pelos seus benefícios. Prontuário eletrônico e receita digital tiveram o mesmo caminho. Em contrapartida, mesmo a APM tendo um dos melhores centros de ensino médico de pós graduação, reluta em trazer para o seu portfólio de produtos os cursos preparatórios para residência médica. A questão não é ser a favor ou contra os cursos. A discussão vai muito além de simplesmente implementá-los na APM, entretanto, é inegável a presença esmagadora deles no ensino médico. Trazer este assunto para o debate dentro da associação é urgente. Sem os jovens médicos, a APM morrerá.

Precisamos nos aproximar das faculdades de Medicina. Divulgar aos alunos o que é a APM, para que serve e como funciona. Mostrar a eles que, sem a APM, a medicina sofrerá muito. Levar o debate a eles. O departamento de defesa de classe da APM é, sem dúvida, um dos mais fortes e atuantes do Brasil. Brigas e discussões homéricas a favor dos médicos e da população acontecem diariamente. Ato médico, reforma tributária, Mais Médicos, Médicos pelo Brasil, embate permanente com convênios para melhores condições de trabalho aos médicos, movimentos a favor ou contrários a projetos de leis são alguns debates que saem de dentro da APM Estadual. Melhorias para a nossa classe não caem do céu. 

Por fim, deixo um dizer de Martin Luther King Jr: “Um movimento para a conquista perdura porque os líderes dão aos participantes novos hábitos que criam um novo senso de identidade e um sentimento de pertencimento. Porém, as pessoas precisam acreditar e fortalecer os laços com objetivo comum.” Juntos sempre seremos mais fortes. Direção, coesão, transparência, conexão e propósito. A união entre as pessoas é o que nos faz mais forte, mas ela só existe se houver algo em comum. O que de comum tem em cada um de vocês?