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Crescimento sustentável

José Eduardo Rissi

O Centro de Estudos Econômicos da ACIRP divulgou recentemente um importante levantamento que indica a evolução de alguns setores socioeconômicos. Com população estimada em mais de 460 mil habitantes, Rio Preto tem se tornado um polo de atração para novos negócios e empreendedores, que encontram na cidade um ambiente favorável para o crescimento. Segundo o estudo, em cinco anos (de 2017 até 2022), o número de novas empresas aumentou 202%, saltando de 4.459 para 13.479.

Além do momento atípico dos últimos três anos, em que muitas pessoas precisaram se reinventar profissionalmente, outros fatores que corroboraram para este crescimento. Rio Preto conta com uma economia diversificada, com destaque para os setores de serviços, comércio, indústria e agronegócio, o que aquece diferentes mercados e abre oportunidades para novas relações empresariais.

Essa cultura focada no empreendedorismo passa também pelas instituições de ensino, que estão formando profissionais com visão inovadora, criativa e soluções para facilitar nossas vidas, todos os dias. Neste cenário, é importante citar também o apoio do poder público e das instituições locais, que ajudam a criar um ecossistema propício para o desenvolvimento de negócios e geração de empregos e riquezas para a cidade e sua população.

O estudo revela o perfil das empresas ativas por setor de atividades. O que se observa é que Serviços e Comércio são os setores que se sobressaem, com 53,7% das empresas (47.216) e 27,3% (24.014), respetivamente.  

Dentro da nossa principal área de atuação, que é a de prestação de serviços voltados para a área de saúde, também temos observado um crescimento expressivo – desde clínicas e hospitais até startups criadas com foco na saúde digital, oferecendo soluções inovadoras para melhorar a qualidade de atendimento e facilitar o acesso aos serviços de saúde.

Rio Preto, segundo o estudo da ACIRP, conta, atualmente, com 5,6 médicos por mil habitantes. Uma das maiores médias entre as cidades do interior do País. Para se ter ideia, se fosse comparada com as capitais, Rio Preto estaria à frente de 10 capitais, como Palmas, Maceió, Fortaleza, Belém, Campo Grande, Porto Velho, Manaus, Boa Vista, Rio Branco e Macapá.

Este crescimento no número de profissionais e empresas de Saúde é reflexo das transformações que o setor está passando, impulsionado pelo envelhecimento da população, avanços tecnológicos e uma maior conscientização sobre a importância da saúde e bem-estar.

Com tantos novos profissionais montando seu próprio negócio, uma das principais preocupações agora tem sido profissionalizar a gestão financeira e os processos administrativos. Segundo a pesquisa “Panorama das Clinicas e Hospitais”, lançada no início deste ano, melhorar a gestão financeira é a segunda prioridade para 2023, mencionada por 43% dos empresários participantes. De fato, um controle eficiente de fianças mantém a instituição em crescimento saudável, com contas e tributos em dia e despesas sob controle.

E o desafio aumenta para esses empreendedores, tendo em vista que o setor da Saúde é altamente regulamentado, sendo necessário certa familiarização com as normas e regulamentações aplicáveis à empresa. É preciso estar atento a questões como a legalização da empresa, licenças e alvarás, contratação de profissionais e tributação.

São questões importantes para trazer mais segurança e sustentabilidade a esses novos negócios, especialmente na área médica, garantindo assim que a curva de abertura de novas empresas continue nesta tendência de alta para os próximos anos na cidade.

José Eduardo Rissi é diretor da Rissi Contabilidade Médica.

* Foto: Secretaria Municipal de Comunicação de Rio Preto