Homenagem aos Presidentes - Dr. Olavo Amorim Junior - 46ª Diretoria (1995)
Em comemoração aos 97 anos da SMC, a Revista APM publica a cada edição entrevistas ex-presidentes, em série que irá até o final do ano.
Da sua época de presidente da SMC, das suas experiências, o que mais te ajudou
depois na sua trajetória?
Dr. Olavo – Desde os tempos universitários sempre
participei das atividades estudantis e da política acadêmica. Minha formação
médica foi na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (antigo Estado da
Guanabara), época quando havia forte repressão aos movimentos estudantis. Isso
me motivou a participar desses movimentos, pois sabia que só com a união
conseguiríamos que nossas reivindicações fossem atendidas.
Depois
de formado, chegando a Rio Preto, procurei me associar a uma sociedade que
representasse os médicos, em 1974.
Participei
de várias diretorias, tendo sido diretor social em dois mandatos, vice-presidente
e, finalmente, assumi o cargo de presidente.
Nesta
época estávamos travando uma batalha com os planos de saúde, reivindicando
melhor remuneração para os médicos, movimento que se alastrou por todo o Estado
e com ampla adesão dos médicos locais e com a eleição do então presidente Dr.
Eleuses Paiva à presidência da Associação Paulista de Medicina.
Ao
assumir a presidência da SMC, demos continuidade ao “Movimento SOS Classe
Médica”, pois as razões que levaram a ele não tinham terminado e era necessária
a continuação das nossas ações, o que foi feito.
Presidir
a SMC foi é um privilégio e um orgulho para mim. A SMC é uma instituição de uma
categoria esclarecida, mas que precisa de um esforço contínuo para manter a
união dos colegas.
O
senhor lembra algum feito marcante da sua gestão e que ainda hoje quando olha
vê marcas do possível legado que deixou?
Dr.
Olavo – Procuramos trazer os colegas que
ainda não tinham se associado e aumentar nossa força.
Aprendi
na SMC a respeitar as opiniões contrárias, pois a classe médica tem interesses diferentes,
de acordo com a atividade que exercem. Vi a força do diálogo e consegui vários
novos sócios, nem que fosse só para desfrutarem do Clube Médico.
Organizamos
o XIV Congresso Médico do Oeste Paulista, com 83 professores convidados que
apresentaram vários trabalhos de qualidade. Conseguimos grande adesão de
participantes.
Demos
início à nossa videoteca com a aquisição inicial de mais de 100 fitas de temas
médicos variados para uso dos associados. À época, não havia as redes sociais.
Demos
sequência ao Plano Diretor de Reformas e promovemos diversos eventos sociais,
culturais e esportivos.
A
medicina se transforma no dia a dia. Em termos de associativismo, o que o
senhor enxerga de diferente agora e quais suas perspectivas no futuro?
Dr.
Olavo – Na faculdade, aprendi que “a medicina
é a ciência de verdades transitórias”. Nada mais verdadeiro. A medicina se transforma no dia a dia, com o
aparecimento de novas tecnologias e técnicas. Eu vi nascer a ultrassonografia,
a ressonância magnética, a angio TC, isso para falar só de imagens. Novos
medicamentos, videocirurgia e cirurgia robótica já estão sendo usados em Rio
Preto.
O
problema que fica para o gestor está na solução da equação “necessidades
infinitas/recursos finitos”. Mais do que nunca os médicos devem se unir para
defender seus interesses e dos pacientes, lembrando que, com custos elevados,
as empresas mercantilistas tendem a olhar para os médicos, que desunidos, são a
parte fraca nessa equação.
Acho
que nossas lideranças devem se lembrar do passado e trazer atualizado o
Movimento SOS Classe Médica. Precisamos ter uma ação forte, com nossos
representantes políticos, mostrando a eles as dificuldades que enxergamos com
certas atitudes que alguns planos de saúde já praticam em Rio Preto. Precisamos
de um líder que mostre à população o que está acontecendo, pois o médico é o
escudo que tem contato direto com o cliente.
Vejo
com otimismo diversas manifestações muito pertinentes do nosso presidente, Dr.
Leandro Colturato, na imprensa local. Por outro lado, o médico deve atender bem
os pacientes e praticar uma medicina resolutiva para a qual foi preparado, não
pedindo exames desnecessários e encaminhando o paciente a outro médico (tem que
ser muito paciente).
Grande
parte dos atendimentos pode ser resolvida nas unidades básicas, se os pacientes
forem bem atendidos, e isso minimiza em muito o problema da superlotação dos
leitos hospitalares.
O
que o senhor gostaria de ver na nossa SMC e que ainda não foi realizado? Alguma
sugestão para as futuras diretorias?
Dr.
Olavo – Ser diretor da SMC é um cargo que
exige dedicação (sem remuneração) e todos que ali estão nos diferentes setores
dão o melhor de si para que ela seja uma Associação forte, com credibilidade e
que luta pelos direitos dos médicos. Acho que a atual Diretoria vem trabalhando
bem, sabendo dosar as atividades sociais, culturais e esportivas com as
reformas estruturais que foram feitas até agora.
Qual
sua avaliação da atuação da classe médica e suas entidades representativas para
a melhoria da saúde pública e suplementar no Brasil? Há algo mais que possa ser
feito?
Dr.
Olavo - Quando vejo o número de médicos
formados a cada ano e médicos formados em outro país sendo “importados”, fico
pessimista com o futuro. A união da classe, já falada, fica cada vez mais
difícil e, sem ela, seremos manipulados. É preciso que vejamos isso pois o “cão
já subiu no telhado”.

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