Notícias

Homenagem aos Presidentes Dr. Mário Abbud Filho - 47ª Diretoria (1996/1997)

Em comemoração aos 97 anos da SMC, a Revista APM publica a cada edição entrevistas ex-presidentes, em série que irá até o final do ano.

Da sua época de presidente da SMC, das suas experiências, o que mais lhe ajudou depois na sua trajetória?

Dr. Mario Abbud Filho – A Presidência da SMC foi um aprendizado em gestão do patrimônio alheio. Embora aparentemente sem grandes riscos, esse aprendizado ensinou-me como conjugar interesses dos associados, tanto na esfera de políticas de saúde, e de interesses do profissional médico que representa, como na área de anseios sociais desses membros. Na parte ligada à Associação Paulista de Medicina, legítima representante que é nossa SMC, nos empenhamos em estimular os médicos a assumirem posturas éticas, tanto relacionadas ao exercício da medicina, como com relação aos convênios médicos.

O senhor lembra algum feito marcante da sua gestão e que ainda hoje quando olha vê marcas do possível legado que deixou?

Dr. Mario Abbud Filho – Acredito que a luta por honorários profissionais decentes foi um fato marcante, mas não posso afirmar que foi uma guerra vencida, pois até hoje ainda nos deparamos com valores de honorários profissionais indignos para o médico. No aspecto social, creio que a Diretoria que presidi durante quatro anos deixou legados importantes: refizemos o “campinho” até então quase sem grama, a quadra de tênis coberta e a área ao lado da quadra foi revitalizada. Relembro que foi um período difícil para a SMC, pois à época havia uma grande movimentação política envolvendo os convênios médicos, incluindo a Unimed, o que dificultava conseguir mais apoio para a realização de eventos na Sociedade. Na área científica, inovamos no formato do congresso médico do Oeste Paulista e iniciamos uma série de conferências com grandes nomes da medicina brasileira: palestraram na SMC os dois maiores cientistas da época, Dr. Ivan Izquierdo e Dr. Sérgio Ferreira. 

A medicina transforma-se no dia a dia. Em termos de associativismo, o que o senhor enxerga de diferente agora e quais suas perspectivas no futuro?

Dr. Mario Abbud Filho – Para o associativismo, nada vejo de diferente porque, cada vez mais, os médicos procuram formas individualizadas de sucesso. Constato o crescente número de escolas médicas e de médicos com formação deficitária, tanto na área clínica como na parte ética, praticando medicina cada vez menos holística e mais especializada, distante dos pacientes e completamente dependentes de exames complementares sofisticados, muitas vezes desnecessários, deixam uma perspectiva cinzenta para o futuro médico. 

O que o senhor gostaria de ver na nossa SMC e que ainda não foi realizado? Alguma sugestão para as futuras diretorias?

Dr. Mario Abbud Filho – Creio que nossa SMC, individualmente, cumpre muito bem seu papel, principalmente o social, agregando famílias, vendo gerações dessas famílias crescerem dentro de seus domínios. Cada Diretoria ajudou a construir a SMC à sua maneira, mas sempre para frente. Precisamos mantê-la sempre viva e atuante, seja socialmente ou procurando agregar novos profissionais. Acredito que essa iniciativa de ouvir os ex-presidentes é excelente, pois conta nossa história, nossas tradições e isso é que nos direciona para o futuro. Afinal, uma entidade sem tradição e sem história nunca poderá ter um futuro. 

Qual sua avaliação da atuação da classe médica e suas entidades representativas para a melhoria da saúde pública e suplementar no Brasil? Há algo mais que possa ser feito?

Dr. Mario Abbud Filho – Acho que nossas entidades médicas pouco se envolvem ou são pouco ouvidas quando se trata de definir políticas públicas de saúde. Não conseguimos controlar a abertura e a qualidade das escolas médicas e não participamos na definição das prioridades da saúde pública. Isso é lamentável! Gostaria que as entidades médicas pudessem exercer sua função de fiscalizar e auditar a formação dos médicos e da medicina praticada no Brasil.