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Homenagem aos Presidentes - Dr. Luiz Fernando Colturato - 49ª Diretoria (2000/2002)

Da sua época de presidente da SMC, das suas experiências, o que mais lhe ajudou depois na sua trajetória?

Dr. Luiz Fernando Colturato - O que aprendemos como presidente da SMC vai muito além dos três anos de gestão. Durante este período, aprendemos coisas que nos ajudarão pelo resto da vida. Uma delas foi aprender administrar finanças que não lhe pertence. A mais marcante foi lidar com os funcionários do clube, pessoas humildes, trabalhadoras, guerreiras e amigas tão leais que deixam uma saudade eterna. Os médicos, pela correria do dia a dia, têm pouca oportunidade de vivenciar relacionamentos como estes. Aprendi muito com todos eles.

 

O senhor lembra algum feito marcante da sua gestão e que ainda hoje quando olha vê marcas do possível legado que deixou?

Dr. Colturato - Na nossa gestão, investimos muito na defesa de classe e em aulas e cursos de diversas especialidades. Destaque para o Clube do Rim e para a Ginecologia, sob a direção da Dra. Reny Bertazzo. Entretanto, se posso pensar em um legado deixado, destaco a atenção dedicada às crianças e aos adolescentes, filhos de sócios que frequentavam o clube, ajudando-os a crescerem como pessoas e tentando fazer do nosso clube a sua segunda casa. Hoje, vejo todos eles, homens e mulheres, formados, com suas famílias, pais e mães que, com certeza, têm um pouquinho do que aprenderam naquela época.

 

A medicina transforma-se dia a dia. Em termos de associativismo, o que o senhor enxerga de diferente agora e quais suas perspectivas para o futuro?

 

Dr. Colturato - A cada dia novas faculdades de Medicina aparecem. Médicos sem uma adequada formação entram no mercado, cada vez mais procurando, única e exclusivamente, o lado financeiro. Infelizmente, não vejo com bons olhos. O associativismo tem se enfraquecido nos últimos anos. Unir a classe médica para debates de extrema importância, como a reforma tributária, o “Mais Médicos”, o ato médico, entre tantos outros, tem se tornado mais difícil. Poucos assumem tamanha responsabilidade. No mundo ideal, gostaria de ver nossas entidades médicas lotadas de colegas lutando em prol da população, da medicina ética e meritocrática e, principalmente, contra grupos mercantilistas que denigrem nossa profissão.

 

O que o senhor gostaria de ver na nossa SMC e que ainda não foi realizado? Alguma sugestão para as futuras diretorias?

Dr. Colturato - Em um futuro próximo, gostaria de ver algo que as últimas diretorias tentam arduamente: termos todos os alunos das três faculdades de Medicina de Rio Preto participando ativamente das atividades da SMC, principalmente das científicas.

 

Qual sua avaliação da atuação da classe médica e suas entidades representativas para a melhoria da saúde pública e suplementar no Brasil? Há algo mais que possa ser feito?

Dr. Colturato - Apesar de cada vez mais poucos médicos quererem se envolver com as entidades representativas (cargos não remunerados), os colegas que lá atuam são incansáveis. Lutas e brigas diárias são realizadas: contra a política predatória dos planos de saúde, contra o desfinanciamento do SUS, contra projetos de leis que trazem prejuízo ao médico e, acima de tudo, à população mais vulnerável, entre tantas outras. O sonho é que fossemos ouvidos e tivéssemos mais espaço para atuar.