Defesa de Classe

Violência contra médicos

Ultimamente temos visto na imprensa e também nas lides forenses fatos que muito preocupam, pois são indicativos de que atravessamos uma fase de absoluta corrupção dos valores morais da nossa sociedade.


Há algum tempo era comum certos profissionais serem admirados e até mesmo reverenciados. Os professores que nos abriram as portas dos conhecimentos, os médicos a quem o cidadão entrega a sua vida, seu bem mais precioso, etc., recebiam o respeito merecido pela nobreza e importância da atividade exercida. Infelizmente tudo isso acabou e constatamos, estarrecidos, deprimentes episódios de agressão em sala de aula aos professores. Até já virou rotina.


Agora são os médicos que entram no rol dos vitimados pela incivilidade e começam a figurar nas primeiras páginas dos jornais (daqui algum tempo tais noticiais vão para uma página secundária).


Infelizmente estes fatos ocorrem todos os meses e no último dia 25 de agosto o jornal Diário da Região destacou - “MÉDICA É AGREDIDA POR PACIENTE E FAMILIARES EM TANABI”, informando que uma médica fora ferozmente atacada por uma paciente, o pai e o marido da mesma, em razão da demora da ambulância em transferir a agressora.

Imperioso salientar a heroica dedicação da médica agredida, eis que, naquele momento já havia concluído o seu plantão e aguardava a remoção de dois doentes por Covid, quando foi agredida covardemente.


A médica desabafou esclarecendo que nesta pandemia tem trabalhado muito, longe dos seus entes queridos que não vê há meses, trabalha finais de semana, domingos e, mesmo após a terrível agressão que sofreu, continua convicta na sua missão de salvar vidas. Sem dúvidas, deu um grande exemplo de amor ao próximo, de profissional dedicada e zelosa.

Além das agressões físicas, também constatamos nos consultórios e até nas ações judiciais contra médicos, igual ferocidade de ex-pacientes, que não raro, agridem a moral e a honra do profissional com mentiras absurdas, intentando valorizar o pedido de indenização.

Isso tudo demonstra que há um infeliz retrocesso na valoração da moral e assustados, inevitavelmente, lembramos de fatos já há muito superados pelo mundo civilizado, como o de que, o rei da Babilônia no 18º século A.C, Khammu-rabi, mandou erigir colunas com aquilo que conhecemos hoje como o “Código de Hamurábi “, com toda a certeza o primeiro documento histórico que trata do problema do erro médico e que, assim como hoje, demonstrava a selvageria de algumas pessoas, pois em seu artigo 218, preconizava: - “Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e a mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos.”


Evidente que, além destes episódios frequentes, muitos outros aconteçam, sem que cheguem ao conhecimento público.


O CREMESP e o COREN , lançaram este ano a campanha “VIOLÊNCIA NÃO RESOLVE – Respeite o Profissional de Saúde”, visando conscientizar autoridades e população para tão grave e crescente problema e no mês de fevereiro último , a APM – Regional de São José do Rio Preto sugeriu ao senhor prefeito deste município e ao ilustre secretário municipal de Saúde, para que todos os serviços de Saúde do município tenham membros da Guarda Municipal ou seguranças para zelar pela integridade física e emocional de médicos, demais profissionais e dos cidadãos atendidos. A população precisa se conscientizar para a real importância do trabalho dos médicos e demais profissionais da saúde, fundamental à manutenção da vida de todos nós.


CANAL DE DENÚNCIA


E novamente a diretoria da APM – Regional de São José do Rio Preto, visando agilizar e efetivar o combate a este tipo de violência, coloca à disposição de todos os médicos o canal do whatsapp 99789-8723, para registrar denúncias e providenciar todo o apoio necessário, inclusive jurídico, ao profissional agredido.


A profissão do médico é considerada uma das mais brilhantes e importantes em todas as sociedades, inclusive intitulada como “sacerdócio”, portanto é preciso que os médicos, assim como ocorreu com os nossos professores, não se habituem com esta selvageria e, junto com a sociedade consciente, lutem contra as agressões, tanto as físicas, exercida por um revoltado e equivocado paciente, mas também pelas agressões a toda a classe , como a imposição de honorários vis e a precária ou inadequada estrutura nos postos de saúde públicos.


Luís Antonio Velani é advogado da assessoria jurídica da Sociedade de Medicina e Cirurgia