Medicina High-tech
Uma corrida tecnológica segue acelerada para fazer frente à pandemia de Covid-19. No campo da saúde, com as iniciativas lideradas por governos, instituições de pesquisa, corporações e startups, a inovação deve dar um salto que mudará o meio médico como conhecemos. É o que pensam pesquisadores, futuristas e empreendedores do setor. (...) Um exemplo notório disso é o uso da telemedicina, que tem ganhado escala no contexto da Covid-19. “Antes, a telemedicina era vista de forma errada, e vemos hoje como pode fazer parte do arcabouço do médico”, diz Lucas Cottini, médico anestesista, CEO da startup Jaleko.
A inovação na área da saúde tem sido puxada por startups que unem a ciência médica à tecnologia para produzir novas ferramentas. Além da telemedicina, ganham impulso hoje softwares que auxiliam nas análises clínicas e de imagem, dispositivos inteligentes de monitoramento de sinais vitais e realidade aumentada para identificar patologias em exames.
Em outras palavras: inteligência artificial, nanotecnologia, big data, robótica, internet das coisas, realidade virtual e aumentada, biotecnologia entram com mais força na medicina, especialmente neste momento de enfrentamento à pandemia. E esse é um movimento observado mundialmente.
O médico e a máquina - A digitalização da medicina não quer dizer que as tecnologias irão substituir o médico. “Quando se coloca a máquina fazendo trabalho de máquina, sobra mais tempo para o humano fazer mais trabalho de humano”, considera Cottini.
Na avaliação dele, as novas ferramentas tendem a potencializar trabalho do médico. “Ele não vai precisar fazer mil cálculos de probabilidade na cabeça para fazer um diagnóstico. Mas vai, dentro do seu conhecimento e experiência, com base nisso saber tomar a melhor decisão.”
Diante de toda essa transformação, um desafio se impõe aos futuros profissionais de medicina e às instituições de ensino: acompanhar a velocidade das tecnologias. “Para que o novo médico consiga se formar adaptado a esse novo mundo, a gente precisa, desde a fase de graduação, oferecer experiências que permitam se familiarizar com esse tipo de inovação”, afirma Silvio Pessanha Neto, médico PhD e diretor de medicina, pós-graduação e cursos livres da Universidade Estácio. (...)
Visão do futuro - Para a pesquisadora e futurista Lídia Zuin, todas as tecnologias exponenciais, ou seja, as que podem ganhar escala digitalmente, terão impacto no setor da saúde. “Realidade virtual e aumentada como forma de realizar procedimentos cirúrgicos ou mesmo no ensino da profissão médica, biotecnologia na manipulação de células tronco e edição de DNA, bem como criação de terapias genéticas.”
Ela cita ainda a potencialidade de outros avanços como blockchain, para a infraestrutura do sistema de informação dos hospitais, robótica nos processos cirúrgicos e cuidados de idosos e até mesmo o uso de chatbots como ferramenta de auxílio em terapias psicológicas. No entanto, para que tudo isso funcione e traga benefícios, é preciso que os médicos acompanhem. “Não adianta apenas os cientistas e pesquisadores se dedicarem a encontrar novas técnicas e tecnologias se os profissionais da saúde, que estão na linha de frente, não absorverem e replicarem esse conhecimento.”
Os novos hospitais - A tendência é que os próprios centros de saúde se tornem polos de pesquisa, promovendo inovações contínuas. Segundo o relatório anual de tendências Tech Trends 2020, do Future Today Institute, liderado pela futurista norte-americana Amy Webb, essa realidade já começa a acontecer.