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Médico gestor e pós-pandemia

No momento em que o Brasil caminha para o final deste ano atípico, fortemente impactado pela pandemia do coronavírus, talvez seja hora de olharmos para o futuro empreendedor, especialmente na área médica. Segundo a Resolução CFM 2.149/2016 existem 54 especialidades médicas e 57 áreas de atuação no Brasil. Desse modo, há de se considerar que os serviços médicos têm múltiplas facetas e especificidades muitos pontuais. Mas uma das características que chamam muito a atenção nos empreendimentos de saúde – e que está presente em praticamente todas as áreas, é a tecnologia.

Pesquisas indicam que, globalmente, os investimentos realizados em equipamentos e sistemas que permitem análises e interpretação de dados a partir de Big Data e Inteligência Artificial representam entre 40% e 50% do total investidos e são justificados com base na grande resolutividade e na diminuição no tempo de tratamento do paciente: um aparelho implantado para um diagnóstico mais preciso acaba se convertendo em economia em médio e longo prazos.
Ainda que fatores como tecnologia sejam enormemente importantes, e tenham interface com praticamente todas as áreas da Medicina, as empresas de saúde, assim como todas as demais, carecem de muitos cuidados, desde a infraestrutura – e os aportes tecnológicos, até boa gestão; e cuidados mais específicos, como marketing consonante com as diretrizes do Conselho Federal de Medicina, treinamentos para atendimento humanizado, dentre outros tantos. E essas necessidades nunca estiveram tão evidentes.
Durante os últimos meses, a insegurança sanitária – com fortes impactos emocionais – foi responsável por consultórios esvaziados, cirurgias eletivas desmarcadas, pacientes e familiares temerosos e profissionais preocupados com as responsabilidades assumidas.

Desse modo, é fundamental que o médico-gestor esteja atento às mudanças percebidas nos últimos tempos e seus profundos reflexos na sociedade, com impactos sentidos nas áreas social, política, sanitária e econômica. Processos que levariam anos para amadurecer, como a prática da Telemedicina, foram emergencialmente adotados e colocados em funcionamento, numa clara adaptação ao cenário atual.

Para minimizar os impactos da crise atual, o empreendedor médico deve estar preparado para refletir e rever os processos de sua organização buscando cortar gastos desnecessários e reavaliar a execução de tarefas, gerando aumento na produtividade; otimizar recursos humanos e financeiros; e investir em um planejamento estratégico.
Outro ponto que poderá ser um enorme diferencial no momento da retomada econômica, será a capacidade de integração promovida por entidades como a Sociedade de Medicina e Cirurgia, ambiente para discussão de boas práticas e debates de dificuldades que podem levar à uma perspectiva de estabelecer parcerias, buscar novos fornecedores, investir em comunicação e marketing, dentre tantas outras possibilidades.
Não há fórmula mágica! O fiel respeito às normas sanitárias, seguindo com atenção os protocolos estabelecidos, de modo a manter a segurança preventiva da equipe e dos pacientes encerra essa breve lista de cuidados que, acreditamos, o médico gestor deverá considerar nessa nova vida “pós-pandemia”.


Dr. Kássey Vasconcelos, médico oftalmologista e associado da APM - Regional de Rio preto.