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Vacina contra Covid-19 e gestantes: sim ou não?

A doença que já infectou mais de 9,5 milhões de pessoas e mais de 230 mil mortos no Brasil, apavora as gestantes. As mudanças naturais da gestação aumentam a possibilidade de infecções respiratórias e insere, definitivamente, estas pacientes no grupo de risco à Covid-19.

Devo tomar ou não a vacina? Qual é a melhor? Qual traz menos risco? Os efeitos colaterais serão os mesmos que na população em geral? O meu bebe tem risco com a vacina? Estas e inúmeras outras dúvidas passaram a ser rotineiras no consultório de obstetrícia.
Na gravidez, a prática da vacinação é indispensável. O risco a saúde do concepto, como malformações, restrição do crescimento intrauterino, parto prematuro e manifestações infecciosas, aumenta significativamente nas viroses. Quando a gestante é vacinada, há melhora significativa na saúde materno-fetal e a passagem transplacentária de anticorpos protege o concepto de forma passiva até aproximadamente 1 ano.
Em tempos normais, a maioria das pessoas comprometidas em promover os interesses das mulheres grávidas e de seus filhos, diria que não devemos envolver mulheres grávidas nos primeiros ensaios clínicos. O especialista do Instituto de Bioética Johns Hopkins Berman, Carleigh Krubiner, disse que “os testes em gestantes ainda não foram iniciados, embora haja dados de segurança reconfortantes e eficácia muito alta". Não há nenhuma indicação de que a vacina ofereça qualquer risco para mulheres grávidas.
Até o momento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não aconselha que grávidas sejam vacinadas. Entretanto, quando uma mulher grávida tem um alto risco inevitável de exposição ao Covid-19, como no caso de uma profissional de saúde, ou tem comorbidades, a OMS diz que "a vacinação pode ser considerada se discutida com seu médico". Também aponta para os riscos de contrair Covid-19 durante a gravidez. "Mulheres grávidas correm maior risco de desenvolver sintomas graves do que mulheres não grávidas, e a doença foi associada a um risco aumentado de parto prematuro", diz a entidade.
A segurança e eficácia das vacinas contra Covid-19 não foram avaliadas em gestantes. Entretanto, estudos em animais não demonstraram risco de malformações. Segundo o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA), o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) e a Sociedade de Medicina Materno-Fetal, as gestantes que desejarem receber a vacina contra a Covid-19 devem receber, embora não existam dados seguros até o momento.
Alguns países, como o Reino Unido, estão oferecendo recomendações semelhantes à OMS. "Embora os dados disponíveis não indiquem qualquer preocupação com a segurança ou dano à gravidez, não há evidências suficientes para recomendar o uso rotineiro das vacinas contra a covid-19 durante a gravidez", afirma o Royal College of Obstetricians and Gynecologists. Em contraste, a Índia anunciou que mulheres grávidas não devem receber as injeções até estudos adicionais.
No Brasil, o Ministério da Saúde lembra que "a segurança e eficácia das vacinas não foram avaliadas nos grupos de gestantes". Recomenda que "para as mulheres, pertencentes a um dos grupos prioritários, que se apresentem nestas condições, a vacinação poderá ser realizada após avaliação cautelosa dos riscos e benefícios e com decisão compartilhada, entre a mulher e o médico prescritor".
As gestantes devem ser informadas sobre os dados de eficácia e segurança das vacinas conhecidas assim como os dados ainda não disponíveis. A decisão entre o médico e a paciente deve considerar: o nível de potencial contaminação do vírus na comunidade; a potencial eficácia da vacina; o risco e a potencial gravidade da doença materna, incluindo os efeitos no feto e no recém nascido; e a segurança da vacina para o binômio materno-fetal.
Devemos encorajar as gestantes a tomarem a vacina, principalmente as que trabalham na linha de frente e com risco máximo de contrair o vírus.

Leandro Freitas Colturato


Fontes: BBC News Brasil / Febrasgo