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Pandemia virtual

Graças ao surgimento da metodologia científica “moderna” iniciada por Nicolau Copérnico, René Descartes, Francis Bacon, Galileu Galilei e Isaac Newton, evoluímos bastante até os dias atuais. Jamais imaginaríamos sermos capazes de produzir tantas vacinas com tecnologias distintas e em tão pouco tempo.
Podemos ser otimistas em dizer que já vencemos grandes batalhas e estamos cada vez mais perto do fim da guerra contra a Covid-19, porém não devemos nos esquecer da outra pandemia que nos assola: as fake news.
Um velho ditado diz que “a primeira vítima da guerra é a verdade”. As fake news sempre nos acompanharam durante a história da humanidade, especialmente em momentos de caos como o que vivemos. Sabemos que a evolução e a implementação de novas tecnologias expandiram o acesso à informação e ao compartilhamento de notícias de maneira exponencial para quase todos os indivíduos. O anonimato e a impunidade virtual, somados à falta de credibilidade governamental e ao cenário de incertezas, tornaram-se valioso meio de cultura para a disseminação de notícias falsas.
Estudo conduzido pelo Kaspersky no ano de 2020 mostrou que 62% dos brasileiros não sabem identificar fake news e somente 42% questionam o que lêem na internet. 
Outro estudo interessante realizado pela Universidade de Málaga na Espanha avaliou 1.115 pessoas através de questionários sobre a relação entre os canais de informação e a Covid-19. As principais fontes de conhecimento para os participantes foram a televisão e a mídia on-line, com 80%, seguidos pelo WhatsApp, com 62%, e Facebook, com 53%. Apenas 1/5 das pessoas utilizavam jornal impresso para esse tipo de informação. A mídia on-line e a televisão foram as melhores avaliadas no critério de credibilidade da informação, ambas com 50%.
De cada 10 participantes, 9 conseguiram identificar o recebimento de fake news. As principais fontes de notícias falsas foram do WhatsApp (86%) Facebook (58%) e Twitter (31%). Quase a totalidade dos cidadãos entrevistados considerava o impacto da fake news entre moderado e muito severo para a sociedade.
Diante desses resultados, podemos concluir que a moderação das plataformas digitais na divulgação de fake news é muito ineficaz e ainda teremos muitas dificuldades em lidar com assunto no futuro próximo. Nessa conjuntura, como médicos e defensores do bem-estar e da saúde, devemos nos posicionar a favor das boas práticas, respeitando a medicina cientificamente fundamentada e sempre com consciência crítica e união, além de compartilhar apenas aquilo que certificamos a referência, é claro.


Dr. Eduardo Lima Garcia é 1º tesoureiro da diretoria da APM Regional de São José do Rio Preto.