Exercício físico e prática de esportes após Covid-19
No momento que atingimos a marca de quase 18 milhões de casos notificados de Covid-19 em nosso território, com 16,5 milhões de recuperados, algumas perguntas recorrentes vem sendo esclarecidas. Quais desses recuperados necessitam uma avaliação cardiológica pré participação esportiva ? A partir de quanto tempo um esportista recreativo ou competitivo pode retornar com suas atividades físicas ? Em que momento devemos progredir a investigação com exames de maior complexidade ?
Antes das respostas, precisamos entender o tamanho do problema. Com dados de países da Europa, bem como EUA e China, aprendemos que a injúria miocárdica é uma característica frequente durante a infecção pelo SARS-CoV-2, atingindo entre 20 e 30% dos pacientes hospitalizados e uma porcentagem menor, porém não desprezível, dos pacientes ambulatoriais com quadros leves. Essa injúria ocorre por uma série de mecanismos, desde fenômenos trombóticos em coronárias, secundário a resposta inflamatória sistêmica, até por inflamação direta ao miocárdio. Existe a possibilidade, na evolução em longo prazo, do desenvolvimento de fibrose miocárdica, aumentando o risco de arritmias induzidas pelo exercício.
Por ser uma doença nova, não há dados definitivos disponíveis sobre como a atividade física regular pode afetar a evolução da Covid-19. Porém, é plausível acreditar, que existam efeitos positivos, tomando por exemplo os benefícios comprovados na redução do risco cardiovascular na população de forma geral, além da otimização na resposta imune.
A essência da prevenção e reabilitação de doenças de grande impacto populacional, sejam as crônicas não transmissíveis, quanto as transmissíveis com características epidêmicas (como as síndromes respiratórias agudas), reside na adoção de medidas relacionadas ao estilo de vida saudável, incluindo a prática de atividade física regular.
Conhecedora dessas informações, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, através de seu Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte (GECESP), lançou um posicionamento com intuito de sistematizar a avaliação pré participação esportiva, facilitando a tomada de decisão dos médicos em seus consultórios.
Para isso, subdividiu o quadro clínico da infecção pelo SARS-CoV-2 em leve, moderado e grave, dividindo também os praticantes, em esportistas recreativos e esportistas competitivos. Independente dessas divisões, sugeriu que todos aqueles recuperados da Covid-19 (após pelo menos 14 dias da resolução da doença), mesmo os casos leves, que tenham o desejo em iniciar exercício físico de forma segura, procurem orientação e avaliação médica inicial.
A pedra fundamental na avaliação daqueles com quadro clínico leve, é anamnese e exame físico, associados a eletrocardiograma e marcadores de necrose miocárdica (troponina ultra sensível). Se não houver anormalidades, recomenda-se a realização de teste de exercício nos esportistas competitivos.
No quadro clínico moderado, após uma avaliação inicial normal, complementar sempre com ecocardiograma e teste de exercício em todos os indivíduos.
E quanto ao quadro clínico considerado grave ou com exames iniciais alterados, o que fazer ? Nesse caso, a realização da ressonância magnética cardíaca ganha importância. Uma vez diagnosticado miocardite, será
necessário afastamento das atividades esportivas pelo período de pelo menos 3 meses, seguindo as diretrizes vigentes.
De forma geral, sendo a avaliação normal , os indivíduos serão liberados para reiniciarem atividades físicas leves, com progressão gradual de intensidade e reavaliação a cada 30 a 60 dias, se necessário.

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