A importância da telemedicina no cenário pós-pandemia
Quando falamos de telemedicina, devemos lembrar que, poucos anos atrás, fazer uma ligação internacional ou interurbana custava uma fortuna. Hoje, graças à tecnologia, você conversa com qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo, de forma instantânea e, muitas vezes, sem custo. A tecnologia estreitou a distância e o relacionamento entre as pessoas. A telemedicina vai fazendo o mesmo. A consulta remota é uma forma moderna e tecnológica de resolver as barreiras logísticas do atendimento médico de qualidade e especializado.
Enquanto alguns locais mais ricos e desenvolvidos têm toda a capacidade de usar o máximo a telemedicina, outros mais pobres e poucos desenvolvidos não têm conectividade e viabilidade tecnológica para implementar o atendimento à distância. Importante lembrarmos que 80% dos municípios do Brasil têm menos de 20 mil habitantes, portanto, não justifica implementar médicos especialistas e hospitais maiores nestas cidades. Logicamente, estas populações não podem ficar à margem da saúde, e a telemedicina pode ser a saída.
Todos sabemos que a telemedicina jamais substituirá por completo consultas, tratamentos mais complexos e a humanização do atendimento. Entretanto, está inserida em um conceito mais amplo, conhecido mundialmente como eHealth ou “saúde digital”. De acordo com especialistas, a “saúde digital” é qualquer aplicação da internet utilizada em conjunto com outras tecnologias de informação, focada em prover melhores condições aos processos clínicos, ao tratamento dos pacientes e melhores condições de custeio ao sistema de saúde. Em todo o país, as principais universidades já dispõem de unidades e núcleos especificamente voltados ao estudo e à aplicação da telemedicina. O benefício é visível.
O projeto Regula Mais Brasil, executado pelos hospitais que formam o PROADI-SUS (Oswaldo Cruz, Einstein, HCor, Sírio Libanês e Moinhos de Vento), já atingiu mais de 550 mil casos regulados nas cidades de Porto Alegre, BH e Recife, além do Distrito Federal e do Estado do Amazonas. Projetos como esse deixam um legado para a sociedade e exemplificam como a telemedicina é uma forma viável de ampliar o acesso à saúde de qualidade no país. Fomentar pesquisas nessas áreas também é crucial para embasar políticas públicas que promovam o acesso e incorporem tendências mundiais na utilização desses recursos.
Temos inúmeros exemplos de filas de espera do SUS que estão sendo zeradas pelo atendimento à distância. Em algumas UTIs, a mortalidade chegou a diminuir mais do que 50% pelo acesso à telemedicina. Novos equipamentos high-tech de atendimento surgem a cada dia e surpreendem pelo fácil acesso e qualidade dos resultados. Acessórios evoluíram e permitem a realização de exames também à distância. Os dispositivos de imagem passaram a ser tão sofisticados que permitem realizar exames como fundo de olho, otoscopia e oroscopia. Há no mercado dos consumidores dispositivos que acoplam o espéculo do ouvido, o abaixador de língua, um sensor de estetoscópio, sempre conectado ao médico que está em tempo real com o paciente. A qualidade de imagem é surpreendente.
Dentro de tudo isto, jamais podemos esquecer que é nossa obrigação garantir o humanismo e a segurança em todo e qualquer atendimento. Cabe a nós, entidades representativas, cobrar e exigir a remuneração ideal para todos os projetos que envolvem a telemedicina. Não podemos e não iremos permitir que grandes empresas e operadoras tomem conta de toda esta tecnologia e nivelem por baixo os honorários médicos como vemos acontecer cada vez mais no nosso dia a dia.
Leandro Freitas Colturato é presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) – Regional de São José do Rio Preto.

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