Publicidade e ética na medicina
Divulgação e ética na medicina. Quais são os seus limites?
O mundo digital está cada vez mais presente, já não sabemos mais viver sem o celular, os diversos eletrônicos e as mídias sociais, com suas vantagens e desvantagens.
Estudos recentes apontam que alguns indivíduos chegam a receber até 5 mil impactos/dia em informação comercial. A publicidade tem sido alta e invasiva com objetivo de trazer resultados comerciais.
As pessoas se acostumaram com essa abordagem, e tendem a achá-la normal. Reduziram o filtro moral com relação aos limites que devem ser aplicados.
Qual a ligação entre essas propagandas e a medicina?
Observa-se cada vez mais postagens de médicos que fazem verdadeiros relatórios de suas rotinas diárias. Inclusive, com apresentação de procedimentos em tempo real, participação ativa do paciente e insinuações de antes e depois.
Mas seria essa, realmente, a melhor estratégia para promover o trabalho médico?
Em um recente congresso da Hackmed, sobre Inovação e Empreendedorismo na Medicina, Eduardo Paschoa, especialista em Marketing discorreu sobre o tema: Paciente ou consumidor? Como criar negócios em saúde.
Numa ótica mais ética, trouxe informações interessantes, ao tempo em que demonstrou que aquela abordagem muito incisiva não é propícia ao momento atual.
Ensina que a tendência do marketing ao consumidor, no presente caso, o paciente, saiu de antigos objetivos tais como dirigir o pensamento, elaborar mensagens poderosas e oferecer grandes promessas, para ir ao encontro de novos desafios.
Nessa linha de raciocínio, procura-se buscar uma menor intensidade na publicidade, com respaldo em leis como LGPD (Lei Geral do Processamento de Dados) no Brasil, e outras similares na Europa e nos Estados Unidos.
O objetivo é que a mensagem chegue de forma menos agressiva, mais sutil, em menor volume, mais prática e engajada, a fim de se atrair, obter e manter o paciente, com fidelidade.
A fidelização do paciente é algo desejável que, com o tempo, decorre da dedicação à relação, das experiências positivas e dos contatos, que concorrem para diminuir a distância entre o conhecimento do médico e a desinformação do paciente, criando um elo de confiança e conforto.
Ao levar informações práticas, com conteúdos informativos e necessários, em linguagem acessível, o médico estende sua consulta, continua informando o paciente, estimulando o relacionamento, de modo a respeitar, da melhor forma possível, os ditames éticos, segundo Eduardo.
A Resolução CFM 1.974/2011 estabelece os critérios norteadores da propaganda em Medicina, conceituando os anúncios, a divulgação de assuntos médicos, o sensacionalismo, a autopromoção e as proibições referentes à matéria.
Essa, já nos seus considerados traz que a publicidade médica deve obedecer exclusivamente a princípios éticos de ORIENTAÇÃO EDUCATIVA, não sendo comparável à publicidade de produtos e práticas comerciais. O que é corroborado pelo artigo 8º, que informa ao médico que pode, através de qualquer meio de divulgação leiga, prestar informações, dar entrevista e publicar artigos versando sobre assuntos médicos de fins estritamente educativos.
Por fim, deve-se lembrar que, de acordo com o Código de Ética Médica, no artigo 58, “é vedado ao médico o exercício mercantilista da profissão, devendo o profissional observar da melhor forma os regramentos que balizam a profissão”.
Dra. Paula Fialho Saraiva Salgado é diretora de Defesa de Classe da APM – Regional de Rio Preto.

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