Carta aberta aos cidadãos de São José do Rio Preto e Região: desagravo aos pacientes e médicos
São José do Rio Preto, 19 de agosto de 2021
Carta aberta aos cidadãos de São José do Rio Preto e
Região
A Associação Paulista de Medicina vem a público para
um desagravo aos pacientes de São José de Rio Preto e Região, assim como aos
médicos que os atendem em unidades pública e no sistema suplementar, este
último composto por operadoras e planos de saúde.
Em 18 de agosto de 2021, ontem, divulgamos à imprensa
pesquisa inédita e pioneira, só de Rio Preto e cidades vizinhas, com dados
sobre a relação das empresas da rede suplementar com os médicos. Os resultados
são estarrecedores: está próximo dos 60% aqueles que registram sofrer pressões
de planos de saúde para restringir exames, ou seja, 6 em cada 10.
A autonomia do médico é a base da boa assistência.
Quando afrontada e aviltada, o ônus é uma prática aquém das melhores
possibilidades clínicas e terapêuticas. As consequências são diretas e
imediatas: prejuízo ao paciente e à qualidade do atendimento em saúde. Por
vezes, pode significar quadros simples agravados e até vidas perdidas pela não
utilização de recursos necessários e disponíveis, mas vetados em nome de cortes
em “despesas” e de mais lucro.
Para exercer a Medicina em altíssimo nível, o médico
cursa seis anos graduação, mais dois ou três de residência, cumpre a obrigação
de se qualificar permanentemente em eventos no Brasil, como nosso Congresso de
hoje em São José do Rio Preto, e no Exterior. Não paramos investir na
reciclagem contínua do conhecimento, de pesquisar, de estudar em momento algum.
A missão da Medicina certamente não é o enriquecimento
fácil de poucos às custas da dor de muitos. Médico não é marionete a ser
manipulado por maus empresários de algumas empresas da rede suplementar.
A Associação Paulista de Medicina não admite nem nunca
se calará diante de um ataque brutal a nossos colegas e a nossos pacientes.
Outros pontos da pesquisa realizadas pela APM Rio
Preto mostram que empresas criam dificuldades para internação, interferem em
condutas e tentam subjugar os médicos, não pagando os procedimentos (o que
chamamos de glosas) ou ameaçando-os de descredenciamento.
Esses abusos, todos eles, redundam em graves
consequências para quem está enfermo, paga altíssimas mensalidades para dispor
de um plano de saúde como opção ao Sistema Único de Saúde, mas que, ao
precisar, vê negado seu direito de assistência por subterfúgios inescrupulosos.
O relacionamento entre as operadoras e a rede de
prestadores deve ser saudável em prol dos pacientes. A Associação Paulista de
Medicina Regional de São José do Rio Preto jamais medirá esforços para proteger
a classe médica e a população de planos que denigrem a imagem e o serviço do
médico.
Não há serviço de qualidade à população quando o
ambiente de trabalho é hostil, com baixos honorários, ameaças constantes de
descredenciamento, dificuldade para internar pacientes, glosas ou atraso no
pagamento, interferência na conduta e restrição à solicitação de exames.
Conclamamos a todos os pacientes e médicos envolvidos
na saúde suplementar e examinar ao máximo se a operadora está mais preocupada
com o dinheiro do que com a saúde dos brasileiros. Também temos de estar únicos
para combater os riscos iminentes do processo de verticalização, que quando descontrolado,
vira risco a vidas de pessoas.
Na verticalização, a população inclusive passa a não
ter direito de escolha do seu médico. Será sempre o da rede. Quando optar por
atendimento especializado, não terá pela simples negativa do convênio que está
procura da mão de obra mais barata, não daquela mais especializada.
A conjuntura atual da saúde suplementar exige
respostas firmes. O médico é, recorrentemente, coagido a utilizar medicamentos
e materiais de baixa qualidade; é proibido de atuar na forma que julga correta,
pela imposição de protocolos ditatoriais, que geram dificuldades para autorizar
procedimentos cirúrgicos, exames laboratoriais e exames subsidiários (como
ultrassonografia, tomografia e ressonância), levando a uma interferência
negativa no relacionamento médico-paciente.
Tentam nos obrigar a atender em quantidade, não em
qualidade, e, caso não o façamos, a pena é a perda do trabalho, da fonte de
sustento de nossas famílias.
A APM intensificará cada vez mais a mobilização e os protestos contra as condutas e as práticas de um mercado maquiavélico. Nosso compromisso é com os pacientes. E deixamos bem claro aos mais planos de saúde: não existe Medicina sem médico.

Filie-se à APM
smcriopreto
smcriopreto
17997898723
