Defesa de Classe

Os médicos e a medicina suplementar

Dr. Leandro Freitas Colturato

Título dado à pesquisa inédita realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM) estadual avalia o relacionamento de 354 médicos de São José do Rio Preto e região com as operadoras de saúde da nossa cidade.

O objetivo é fornecer cenário concreto e o mais fidedigno possível das relações dos médicos com as operadoras de saúde para, de forma assertiva e pró-ativa, construir com as empresas ambiente e relacionamento positivos para todos, o que certamente resultará em serviços e atendimento de melhor qualidade à população.

Foram incluídos na pesquisa os 5 principais planos de saúde da cidade e da região: Austa Clínicas, Bensaude, Hapvida, HB Saúde e Unimed. A maioria dos médicos que participaram da pesquisa eram associados adimplentes da APM regional de São José do Rio Preto, sexo masculino, faixa etária acima de 50 anos e local de trabalho em São José do Rio Preto.

A pesquisa teve 95% dos médicos com título de especialista e a maior parte com mais de 20 anos de formação e de atuação em planos de saúde. A relevância está na presença majoritária de médicos capacitados que trabalham há anos na medicina suplementar.

Importante ressaltar que a autonomia do médico é a base da boa assistência. Quando afrontada e aviltada, o ônus é uma prática aquém das melhores possibilidades clínicas e terapêuticas. As consequências são diretas e imediatas: prejuízo ao paciente e à qualidade do atendimento em saúde. Por vezes, pode significar quadros simples agravados e até vidas perdidas pela não utilização de recursos necessários e disponíveis que são vetados em nome de cortes em “despesas” e de mais lucro. A missão da Medicina certamente não é o enriquecimento fácil de poucos às custas da dor de muitos.

Planos de saúde verticalizados são os que mais trazem descontentamento na pesquisa. Criam dificuldades para internar pacientes, interferem em condutas, tentam subjugar os médicos, não pagando os procedimentos ou ameaçando-os de descredenciamento, glosas e restrição à solicitação de exames e, logicamente, baixos honorários. Esses abusos redundam em graves consequências para quem está enfermo e paga altíssimas mensalidades para dispor de um plano de saúde como opção ao Sistema Único de Saúde, mas que, ao precisar, vê negado seu direito de assistência por subterfúgios inescrupulosos.

Na análise das situações constrangedoras que os médicos já passaram com os convênios, três merecem destaques: glosas ou atraso no pagamento (63%), restrição à solicitação de exames (53%) e interferência na conduta (29%). Apenas 15% relatou não ter passado qualquer tipo de constrangimento com os convênios.

O desagrado com a medicina suplementar é ainda mais escancarada quando a questão é se os planos oferecem condições ideais com plena autonomia para o exercício da medicina. Aproximadamente 1/3 dos médicos (29%) apontaram que nenhum dos planos oferecem. No extremo positivo aparece a Unimed com 60% dos médicos relatando autonomia.

O reajuste anual dos honorários médicos de acordo com a inflação também teve a Unimed com 60% dos médicos apontando que há o reajuste. Enquanto que planos verticalizados aproximaram do 0% de satisfação.

O relacionamento entre as operadoras e a rede de prestadores deve ser saudável em prol dos pacientes. Não há serviço de qualidade à população quando o ambiente de trabalho é hostil.

Conclamamos a todos os pacientes e médicos envolvidos na saúde suplementar á examinar ao máximo se a operadora está mais preocupada com o dinheiro do que com a saúde dos brasileiros. Também temos de estar unidos para combater os riscos iminentes do processo de verticalização, que quando descontrolado, vira risco a vidas de pessoas.

Concluímos que a indignação dos médicos com a maioria dos convênios é gigantesca. Os grandes grupos se apoderam da saúde sem se preocuparem com a qualidade do serviço, com olhos apenas na lucratividade. A APM Regional de São José do Rio Preto jamais medirá esforços para proteger a classe médica e a população de planos que denigrem a imagem e o serviço do médico. Intensificaremos cada vez mais a mobilização e os protestos contra as condutas e as práticas de um mercado maquiavélico. Nosso compromisso é com os pacientes. E deixamos bem claro aos mais planos de saúde: não existe Medicina sem médico.

 Dr. Leandro Freitas Colturato é presidente da APM - Regional de Rio