APM apresenta propostas dos médicos de São Paulo para a Saúde
A Associação Paulista de Medicina divulgou documento em que
apresenta pontos considerados essenciais na condução das políticas de Saúde no
Brasil. A associação defende o direito universal à Saúde, o que requer que
todas as instâncias de poder tratem a área como prioridade em cada uma de suas
iniciativas. Sendo a Saúde uma das principais preocupações da população
brasileira, a entidade reitera que é preciso estabelecer Políticas de Estado
para a área, que se perpetuem independentemente de quem esteja no poder, e não
mais Políticas de Governo, que mudam a cada gestão.
TRABALHO MÉDICO
✓ Encerramento total do Programa
Mais Médicos e fortalecimento do Programa Médicos pelo Brasil ou criação de
outras políticas efetivas de provimento de profissionais às regiões
estratégicas, com implantação de uma Carreira de Estado para os médicos.
✓ Fim da precarização do
trabalho médico, com contratações prevendo todas as garantias trabalhistas — a
exemplo de concursos públicos — e condições adequadas ao ético e competente
exercício profissional, com fiscalização efetiva de organizações sociais e
similares.
✓ Respeito à Lei 12.842/2013
(Ato Médico), que resguarda as atribuições exclusivas dos médicos e garante
segurança à assistência aos cidadãos. SISTEMA PÚBLICO
✓ Compromisso com o Sistema
Único de Saúde, seus princípios e diretrizes. ✓ Equilíbrio nas várias esferas
de atenção à Saúde, com ênfase em Promoção de Saúde, Prevenção de Doenças e
Saúde da Família.
✓ Atenção e reforço dos
Programas de Vacinação, sob o risco do retorno de doenças graves já erradicadas.
FINANCIAMENTO À SAÚDE
✓ Revisão da EC 95/2016, com a
imediata reversão do congelamento dos investimentos em Saúde, uma vez que os
recursos já são insuficientes, além de a inflação da área ser muito maior que
os índices gerais.
✓ Execução da totalidade dos
recursos empenhados no orçamento da Saúde.
GESTÃO
✓ Qualificação técnica para
todos os cargos de gestão, com contratação exclusivamente por meio de concursos
públicos.
✓ Conforme Relatório Final do
Grupo de Trabalho destinado a discutir a Tabela SUS, da Comissão de Seguridade
Social e Família da Câmara dos Deputados, destacamos as necessidades de:
➢ Padronização de procedimentos
e serviços da tabela SUS com classificações adotadas na iniciativa privada
(como a CBHPM) e na saúde suplementar;
➢ Revisão periódica da tabela,
com a participação de entidades representativas de prestadores e profissionais
da saúde;
➢ Atualização anual dos valores
da tabela, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA);
➢ Estabelecimento em lei da possibilidade
de Municípios, Estados e Distrito Federal de complementarem os valores da
tabela SUS;
➢ Prazo legal para pagamento dos
prestadores de serviços de saúde, contado a partir do recebimento das
transferências, e definição de mecanismos para punir o não repasse de parcelas
de honorários no prazo definido.
✓ Utilização do Código 7
(pagamento direto aos prestadores de serviços da Saúde).
SAÚDE SUPLEMENTAR
✓ Necessidade de previsão de
normas mais claras e protetivas aos prestadores de serviço na saúde
suplementar:
➢ garantia da autonomia do
médico;
➢ definição da CBHPM como
referência para honorários profissionais; ➢ garantia de efetivo reajuste à
remuneração dos prestadores;
➢ garantia de modelo adequado
para a remuneração do serviço médico; ➢ reembolso obrigatório para
consultas médicas;
➢ regras claras para o
descredenciamento de médicos, clínicas e laboratórios; ➢
controle externo das operadoras de planos de saúde.
✓ Garantia do atendimento
adequado e necessário à Saúde:
➢ rol de Procedimentos e Eventos
em Saúde como referência básica para cobertura assistencial mínima e não
cerceamento da atuação do médico;
➢ manutenção da proibição de
comercialização de planos de saúde subsegmentados;
➢ respeito às competências dos
diferentes profissionais envolvidos na prestação de serviços de saúde.
✓ Necessidade de manutenção e
fortalecimento do ressarcimento do SUS.
EDUCAÇÃO MÉDICA
✓ Interrupção imediata da
autorização para funcionamento de novos cursos e para aumento de vagas em
Medicina.
✓ Reavaliação de todas as
faculdades de Medicina do Brasil e fechamento das que não atenderem os
critérios técnicos e científicos para formação de qualidade.
✓ Obrigatoriedade de aprovação
em exame de proficiência para que os diplomados em Medicina possam obter
registro para exercício profissional.
✓ Ampliação das vagas de
residência médica para todos os formados, com garantia de custeio e de
qualificação dos programas.
✓ Revisão das formas de acesso à
residência, com abolição de privilégios condicionados à adesão a programas
específicos de trabalho no SUS, ou qualquer outra forma de serviço civil
obrigatório.
✓ Revisão no valor das bolsas de
residência médica e valorização da preceptoria.
TECNOLOGIA
✓ Regulamentação definitiva da
Telemedicina em todo o território nacional, com autonomia do médico para
definir se a primeira consulta precisa ser presencial ou não e possibilidade
dos médicos atenderem pacientes de outros estados a distância.
✓ Revisão do arcabouço legal
para incentivar o desenvolvimento, o compartilhamento e a aquisição de novas
tecnologias para a Medicina e a Saúde.
✓ Representação da Associação
Médica Brasileira e suas sociedades de especialidades nos processos de avaliação
e de incorporação de tecnologias em Saúde no País.

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