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“Tumor board”: multiespecialistas contra o câncer de pulmão

Dr. Henrique Nietmann

Estamos em agosto que, entre outras ações, gostaria de destacar tratar-se do mês da conscientização sobre o CÂNCER DE PULMÃO. Estima-se que em 2020 esta doença fez mais de 1 milhão e 700 mil vítimas no mundo todo, sendo considerado um dos tipos de câncer que mais mata no planeta. Entretanto, vale lembrar que a humanidade vem sofrendo diretamente o impacto das doenças pleuro-pulmonares desde o início dos tempos, tendo sido encontradas evidências de sua existência em ossos humanos pré-históricos datados de 8.000 anos antes de Cristo (AC).

Com a evolução da humanidade e sua organização em cidades e aglomerações, as doenças do aparelho respiratório se tornaram cada vez mais prevalentes e com impacto direto na expectativa de vida durante muitos séculos até recentemente. Passamos por inúmeras pandemias, como a da Gripe Espanhola há pouco mais de um século atrás e, mais recentemente, passamos por um período tenebroso em nossa história com o surgimento da covid-19, cujos impactos recentes tendem a perdurar pela próxima década.

Felizmente, com o avanço das medidas de prevenção e de qualidade de vida, muitas doenças que antes eram consideradas uma sentença de morte passaram a se tornar doenças corriqueiras, cujo tratamento encontra-se acessível para boa parte da população mundial. Isto vem acontecendo também com as doenças neoplásicas, neste caso o câncer pulmonar.

Com o advento de novos métodos de detecção precoce e a popularização de exames complementares que nos permitem um diagnóstico mais precoce e mais preciso, surgiram também novos avanços que nos permitem tratar cada caso individualmente, com impacto direto não só na sobrevida, mas também na qualidade de vida dos pacientes acometidos por esta doença. O que antes era tratado apenas com uma quimioterapia altamente deletéria e, eventualmente, uma cirurgia por muitas vezes paliativa, hoje pode ser enfrentada com um arsenal terapêutico que inclui a radiocirurgia, imunoterapia, quimioterapia direcionada e cirurgia, permitindo uma combinação de tratamentos que interferem diretamente na evolução dos pacientes.

De fato, nada disso seria possível se não houvesse uma integração entre as medidas preventivas (que envolvem principalmente a cessação do tabagismo a diminuição da exposição a fatores carcinogênicos e ao rastreio da doença) e ao envolvimento de diversas especialidades no manejo da doença uma vez instalada. Trabalhos recentes mostram que a formação de equipes multidisciplinares envolvendo radiologia, pneumologia, radioterapia, medicina nuclear, oncologia, cirurgia torácica, enfermagem e fisioterapia, chamadas de “tumor board”, consegue aumentar em mais de 30% a sobrevida global dos pacientes.

Por isso, caros leitores, é de fundamental importância o trabalho de prevenção, conscientização e formação profissional especializada para que possamos oferecer o que há de melhor para nossos pacientes. Juntos somos mais fortes.

Dr. Henrique Nietmann é cirurgião torácico, delegado eleitor junto à Associação Paulista de Medicina e médico do Hospital de Base de Rio Preto