Nosso dever enquanto cidadãos
Dr. Leandro Freitas Colturato
Dia 2 de outubro, mais de 156 milhões de brasileiros irão escolher nossos representantes do executivo e legislativo das esferas federal e estadual para comandarem nosso destino e o do país nos próximos quatro anos. A pouco mais de um mês da eleição, utilizo-me deste nobre espaço para convidar você, colega, e seus familiares para que dediquemos um pouco de nosso tempo a analisar o que realmente importa: as propostas dos candidatos.
Ignoremos os costumeiros ataques e acusações, enfim, as manifestações de pura beligerância e nos busquemos nos ater e cobrar dos postulantes aos cargos públicos o que farão se eleitos. As propostas de governo estarão à disposição nos sites das candidaturas e – acredito – serão objetos de reportagens e análises da imprensa.
Ao mesmo tempo, temos que buscar formas de ao menos deixar claro aos candidatos o que esperamos deles, ou seja, o óbvio: apresentar propostas factíveis e viáveis para os graves problemas do país e de nosso Estado.
No setor em que atuamos, o cenário é desesperador. Infelizmente, como sempre. O orçamento para 2022 do Ministério da Saúde — o principal financiador do SUS — sofreu redução de 20%, passando dos R$ 200,6 bilhões, em 2021, para R$ 160,4 bilhões este ano, conforme dados da própria pasta.
São apenas R$ 22,6 bilhões a mais do que o orçamento de 2019, antes da chegada do coronavírus, ou seja, de 2019 para 2021, o aumento do orçamento foi de 16,4% contra uma inflação de 20,63% (IPCA) no mesmo período (dados da Calculadora do Cidadão do Banco Central).
Esta redução nas verbas já teria enorme impacto na já combalida estrutura da saúde no país em tempos normais. Só que o Brasil não teve dias normais nos últimos três anos. Vivemos uma das maiores, senão a maior pandemia da história da humanidade, que afastou as pessoas dos hospitais, seus médicos e demais profissionais de saúde durante meses.
Agora, está evidente que os milhões de atendimentos, exames e demais procedimentos represados resultaram em gigantesca demanda nos serviços de saúde que já não possuíam estrutura suficiente para atender a população em condições normais.
Não preciso relatar a vocês. As nefastas consequências nós vivenciamos nos hospitais e em nossos consultórios.
Até o momento, não vimos a menor manifestação de preocupação com este grave cenário da saúde por parte de qualquer dos candidatos à presidência da República e ao governo do Estado.
Esperamos que isto mude. De nossa parte, temos o dever de exercer a nossa cidadania.
Dr. Leandro Freitas Colturato é
presidente da Associação Paulista de
Medicina Regional de Rio Preto

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