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Número de candidatos da área da saúde cresce nas eleições de 2022

Rafael A. Barbosa Delsin


Entre os registros de candidaturas no TSE, 1.752 profissionais de saúde disputarão as eleições em outubro (menos de 6% do total). Apesar do número ser 11% maior em relação ao último pleito geral, em 2018, a representatividade da categoria ainda é baixa pelo peso que possui e não assegura representação adequada nos cargos públicos. Segundo pesquisa do Ibope, os percentuais de eleitores que colocam a saúde como principal demanda para a população variam de 43 a 77% em 13 capitais do país. Sabemos que quanto mais pessoas comprometidas com a causa na esfera pública, maior a chance de qualificar o debate para avançarmos com medidas e políticas públicas que melhorem a saúde no Brasil. As profissões com maior número de candidaturas são: empresários (3.698) e advogados (2.080). Contudo outros segmentos apresentam maior crescimento de postulantes nas urnas este ano. O número de candidatos com patente militar, por exemplo, cresceu 39%.

O mundo ainda sofre os efeitos da pandemia por Covid-19 e outros desafios estão surgindo, o que reforça a necessidade de mais representantes do meio no setor público. O atual momento vivido pela classe médica brasileira nos leva a algumas reflexões sobre nossa atuação além do consultório. Não basta mais ao médico exercer bem a medicina, driblando obstáculos e vencendo grandes desafios do descaso com a saúde. Precisamos adotar uma nova postura para enfrentar as adversidades.

A maior fragilidade política da classe médica escancarou-se com a instalação do Programa Mais Médicos sem a necessidade de revalidação de diplomas dos médicos formados no exterior e culminou com a declaração da então presidente Dilma: “os médicos cubanos são mais atenciosos que os brasileiros”. Um dos argumentos do governo na época afirmava que não havia médicos suficientes no Brasil, mas os próprios dados demográficos o desmentiam (éramos o quinto país do mundo com mais médicos). Claro que ninguém em sã consciência será contra ampliar o acesso à saúde da população, sobretudo os mais carentes e que vivem em áreas mais isoladas. Porém, sem uma estrutura básica, um maior número de médicos não resolveria o problema. Apenas maquiaria todo um sistema de saúde falido.

Não devemos tomar esses acontecimentos como derrotas, mas como aprendizado e incentivo para continuarmos defendendo o direito de exercermos a profissão que mais aproxima o homem de Deus com ética e qualidade e de prestarmos uma assistência digna aos brasileiros que contam com a classe médica. Somando-se a estes fatores, ainda observamos nas páginas dos jornais uma série de desvios da ética e de comportamento na conduta da gestão pública. Facilmente podemos concluir que a única maneira de afastar os desonestos da política é ocupando seus espaços. Ou então, os desonestos continuarão reinando sozinhos nas decisões da vida pública.

A classe médica tem uma forma única de se relacionar com seus “clientes”, em comparação com as demais profissões. A relação médico-paciente, baseada no respeito, confiança e empatia com o ser humano, proporciona uma visão ampla das moléstias que, em geral, afetam a saúde das pessoas. Na medicina, a atuação profissional possibilita uma ampla percepção das questões sociais, econômicas e políticas que mais afligem a sociedade. Por estas razões, muitos profissionais são convidados por partidos políticos, movimentos sociais, entidades de classe e sindicatos a ingressarem na vida pública.

As mudanças que tanto esperamos nas políticas públicas de saúde e as melhorias das condições de trabalho no exercício profissional da medicina dependem necessariamente da agilidade nas decisões do Legislativo. E não temos uma bancada suprapartidária comprometida com os médicos, com a saúde e com o país. Como cidadãos e eleitores, devemos trabalhar para eleger candidatos comprometidos com a saúde de qualidade, conscientizando nossos pacientes e seus familiares sobre quem são os políticos verdadeiramente preocupados e comprometidos com a saúde.

Nós, da Associação Paulista de Medicina - Regional São José do Rio Preto, conclamamos os profissionais da saúde a terem uma participação mais ativa na política. Esta é a única forma para promover significativas e concretas mudanças nas áreas de saúde e educação. Como entidade de classe, estaremos sempre atentos às políticas voltadas para saúde de modo a desenhar um Brasil mais fraterno e justo, com os interesses dos médicos e da população adequadamente defendidos, de fato e de direito.


Rafael A. Barbosa Delsin é 1º secretário da Diretoria da Associação Paulista de Medicina - Regional São José do Rio Preto.