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Editorial: Outubro Rosa

Leandro Freitas Colturato


No próximo mês a campanha contra o câncer de mama ganha mais holofotes. A importância do outubro rosa é intangível. Movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, foi criado no início da década de 1990, quando o laço cor de rosa foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e distribuído aos participantes da primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova York e, desde então, promovida anualmente na cidade. Em 1997, entidades dos Estados Unidos começaram efetivamente a comemorar e fomentar ações voltadas à prevenção do câncer de mama, denominando Outubro Rosa.

A primeira iniciativa no Brasil em relação ao Outubro Rosa, foi a iluminação em rosa do monumento Obelisco do Ibirapuera, situado na cidade de São Paulo, quando, no dia 02 de outubro de 2022, foram comemorados os 70 anos do encerramento da revolução. O Outubro Rosa é celebrado anualmente, com o objetivo de compartilhar informações, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para reduzir a mortalidade. 

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde (MS), que participam do movimento desde 2010, promovem eventos técnicos, debates e apresentações para disseminar informações sobre fatores protetores e detecção precoce do câncer de mama. Embora outubro concentre a maior parte das ações, as atividades são continuadas ao longo do ano. A campanha reforça três pilares estratégicos no controle da doença: prevenção primária (como reduzir o risco de câncer de mama), diagnóstico precoce (divulgar sinais e sintomas da doença e incentivar a mulher a observar o próprio corpo) e mamografia.

Atualmente não se recomenda o autoexame das mamas como técnica a ser ensinada às mulheres para rastreamento do câncer de mama. Grandes estudos sobre o tema demonstraram baixa efetividade e possíveis danos associados a essa prática. Entretanto, a postura atenta das mulheres em conhecer seu corpo e reconhecer as alterações suspeitas para procura de um serviço de saúde o mais cedo possível – estratégia de conscientização – permanece sendo importante para o diagnóstico precoce do câncer de mama. A mulher deve ser estimulada a conhecer o que é normal em suas mamas e a perceber alterações suspeitas de câncer por meio da observação e palpação ocasionais de suas mamas, em situações do cotidiano, sem periodicidade e técnica padronizadas como acontecia com o método de autoexame. Sintomas nas mamas como inchaço, nódulo endurecido, irritação ou abaulamento, dor, inversão do mamilo, vermelhidão, retração ou espessamento da pele e secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos sempre devem levar a mulher a procurar o médico.

A mamografia é o melhor exame para detectar o câncer de mama. O MS indica o exame a cada 2 anos, dos 50 aos 65 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia indica anualmente, dos 40 aos 65 anos. Entretanto, aspectos associados aos fatores de risco (menor número de filhos, gestação mais tardia e alimentação inadequada) podem estar influenciando a mudança de aparecimento de tumores em mulheres mais jovens.

O câncer de mama não tem causa única. Diversos fatores aumentam o risco de desenvolver a doença. Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos; o acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas com o envelhecimento aumentam, de modo geral, esse risco. O estímulo estrogênico; idade da primeira menstruação menor que 12 anos e da última após os 55 anos, primeira gravidez após os 30 anos, ausência de gravidez e uso de contraceptivos orais e de terapia de reposição hormonal. A ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade, e exposição à radiação ionizante. E mutações em determinados genes, especialmente BRCA1 e BRCA2.

Dos fatores de proteção contra o câncer de mama, o aleitamento materno se destaca. Quanto mais prolongada a amamentação, maior a proteção para a mãe e o bebê. Estudos apontam que, a cada 12 meses de aleitamento, as chances de aparecer um tumor mamário diminuem em 4,3%. Portanto, amamente e encoraje o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e procure manter a amamentação até os dois anos de idade ou mais. Além da amamentação, mudanças nos hábitos, como alimentação saudável e prática de exercícios físicos, diminuem a chance de ter o câncer de mama.

A Associação Paulista de Medicina de São José do Rio Preto apoia toda e qualquer ação contra qualquer que seja o câncer. A prevenção salva vidas. A luta incansável contra um dos cânceres que mais acomete e mata as mulheres não pode cessar. O diagnóstico precoce é sempre a melhor saída. Cuidar da saúde é um gesto valioso. Previna-se!

 

Leandro Freitas Colturato é presidente da Associação Paulista de Medicina – Regional de São José do Rio Preto.